Data: 15/03/2025 Hora: 15h30min Local: Café Brasiliano. Rua Marechal Bormann, 82 D. Chapecó-SC Modalidade: Presencial em Chapecó e on-line (Zoom)
Convidados: Dr. Simão Baran Júnior Promotor Regional de Segurança Pública em Chapecó-SC, Mestre pela FGV-SP
Návia Terezinha Pattussi Psicanalista, Membro-Clínico e Vice-Presidente da Escola de Estudos Psicanalíticos.
Organização: Lia Cunha Poletto Vânia Aparecida Pattussi
Nos atendimentos do Serviço de Atendimento Psicanalítico para vítimas de violência da Escola de Estudos Psicanalíticos, em convênio com o Ministério Público, 90% dos casos dizem respeito ao abuso sexual de crianças e adolescentes do sexo feminino. Além disso, mais de 80% desses atos ocorrem por parte do pai, padrasto, avô, tio ou pessoas que fazem parte do meio familiar, onde, a princípio, há uma relação de afeto e confiança por parte das vítimas.
Segundo o Anuário de Segurança Pública de Chapecó, apresentado pela Promotoria de Segurança Pública, a principal incidência de crimes nesta cidade é relativa ao abuso sexual de crianças e adolescentes.
É sobre essa triste e chocante realidade que iniciaremos um debate público, analisando as problemáticas que esses fatos denunciam. Entre elas, a falta de credibilidade na palavra das vítimas que, além de estarem totalmente à mercê dos atos dos adultos, também são alvo da desconfiança no meio familiar e judiciário quanto à veracidade dos fatos.
Como distinguir a realidade e a verdade, especialmente quando não há marcas ou provas físicas que justifiquem as denúncias e que se conta como prova somente a palavra? Trata-se de casos em que há um embate nas falas: a palavra que denuncia clama pela incidência de uma Lei que não compareceu: a Lei do incesto. Quando essa inscrição não opera, as instituições são chamadas a fazer esse barramento, a colocar o limite entre a barbárie e a humanidade. E nesse ponto, onde a prova maior é a palavra, todos claudicam, pois: O que é a palavra, a lei, a verdade e a realidade?